Entre desafios destacados estão temas como segurança alimentar, cumprimento do Código Florestal, engajamento do setor financeiro e o papel geopolítico do país no mundo

 

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A Coalizão Brasil consolidou-se, ao longo de sete anos, como um movimento em que o diálogo entre diferentes pontos de vista acontece de forma efetiva e leva a iniciativas concretas, como pode ser atestado pelas publicações de diversos documentos, consolidação de parcerias e ações e articulação com diferentes esferas do poder público.

Cada conquista ou avanço na direção da visão de futuro do movimento traz novos desafios. Quais serão e como reagir a eles? Abaixo, os atuais facilitadores e membros do Grupo Estratégico (GE) e do Grupo Executivo (GX) do movimento compartilham suas reflexões sobre os próximos passos da Coalizão.

As lideranças destacam a importância de se manter a promoção do diálogo multissetorial e adiantam alguns temas que deverão ganhar destaque na agenda do movimento, como segurança alimentar, cumprimento do Código Florestal, o papel geopolítico do país no que se refere ao uso da terra e a visão de futuro traçada pelo movimento para 2030 e 2050.

 

Rachel Biderman, cofacilitadora da Coalizão Brasil e vice-presidente sênior para as Américas da Conservação Internacional (CI):

“A Coalizão é um dos coletivos mais ativos e engajados hoje no mundo para avançar na direção da descarbonização da economia agrícola e florestal. Desde seu início, tem aportado importantes conteúdos e recomendações de ação concreta em prol desse objetivo.

No futuro, é fundamental ampliarmos nosso alcance e entregas em temas como mercado de carbono e portfólio de projetos nesse setor, investir nos mecanismos para viabilizar o pagamento por serviços ambientais e ampliar alianças para viabilizar a economia florestal de larga escala e baixo carbono, principalmente com pesquisa e desenvolvimento para espécies nativas. Além disso, temos muito a fazer para cumprir Código Florestal em sua integridade, a fim de garantir negócios sustentáveis no nosso país, bem como segurança hídrica, alimentar e mitigação e adaptação climáticas.”

 

José Carlos Fonseca Junior, cofacilitador da Coalizão, embaixador e diretor-executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá):

“A Coalizão vem cumprindo bem o seu propósito, que é fazer sentar ao redor da mesma mesa aqueles que pensam diferente para dialogar. Para o futuro, os membros devem almejar que essa capacidade de diálogo, dedicação, engajamento e compromisso com o desafio de construir convergências em cima da pluralidade seja cada vez mais fortalecida.

Os propósitos e a missão que nos aproximaram lá atrás têm que estar sempre presentes, porque são a nossa bússola. Neste ano eleitoral, em particular, a Coalizão tem que ter capacidade de interlocução e articulação para fazer valer os pontos que nos permitem enriquecer o debate neste momento tão importante para nosso país.”

 

Marcelo Furtado, sócio-fundador da ZCO2, ex-cofacilitador da Coalizão (2016-2018) e membro do GE:

“O primeiro ponto é que o conflito na Ucrânia e a mudança no jogo geopolítico deixam claro que estamos numa nova realidade, e o Brasil terá um novo papel nesse contexto. O desafio para a Coalizão é ver qual será a contribuição do Brasil para o mundo.

O segundo ponto é que, historicamente, falamos de clima, floresta e agricultura, quando na verdade estamos falando de clima e natureza. Dentro dessa equação, a questão dos alimentos é muito importante. Isso será reforçado, com toda a dimensão de fome que vai aparecer no mundo, levando a uma reflexão sobre redução de desperdício, agricultura mais sustentável, proteínas alternativas e tudo mais. Deveremos ter, na Coalizão, um olhar mais específico sobre isso.

Outro ponto que acho importante é a questão de finanças e investimentos, porque, para viabilizar a transformação necessária nos sistemas energético, alimentar e agrícola, precisamos transformar o sistema financeiro e fazê-lo trabalhar para oferecer uma solução equitativa e positiva para o clima e para a natureza.”

 

André Guimarães, diretor-executivo do Ipam, ex-cofacilitador (2018-2020) e membro do GE:

“A Coalizão ocupou um espaço relevante e significativo na agenda brasileira de uso da terra e, até certa dimensão, também na global. O futuro do movimento, a curto e médio prazos, é continuar a mostrar caminhos, indicar desafios e contrapor visões negativas acerca dessa agenda. A longo prazo, o desafio é ainda maior, pois se trata de fazer valer sua visão, que pressupõe um novo modelo de uso da terra, em que se aumenta a produção sem desmatar mais. É algo complexo de implementar e leva tempo, tanto que nossa visão considera 2030 e 2050 para o atingimento dessas grandes metas.”

 

Juliana Lavor Lopes, diretora de Sustentabilidade, Comunicação e Compliance da Amaggi e membro do GX:

“O cerne da Coalizão é a busca por uma nova economia de baixo carbono, que poderá tornar o Brasil um dos países com maior potencial estratégico frente ao combate e adaptação às mudanças climáticas.

Pensando os próximos anos, o movimento se mostra ainda mais primordial para que consigamos atingir resultados robustos, com foco na perenidade econômica e socioambiental dos diversos setores do país. Temos um documento, o Visão 2030 e 2050, que mostra o desenho de um Brasil próspero, justo e que nos dá orgulho imaginar vivendo nele. Então, nosso papel é manter a união entre os diversos setores para alcançarmos esse país que tanto queremos, mas ainda mais, que tanto sabemos ser possível.”

 

 Marcello Brito, CEO da CKKC, ex-cofacilitador da Coalizão (2020-2021) e membro do GE:

“A Coalizão tem sido um espaço de diálogo, de debate franco, sincero e aberto na construção de políticas públicas do país, e de forma integrativa com setor privado, academia, e organizações da sociedade civil. Um exemplo de maturidade e de espaço de civismo. A Coalizão representa, talvez, o maior relacionamento cívico pró-desenvolvimento do Brasil ora em andamento no nosso país. É sempre uma honra fazer parte desse processo e já estamos olhando para os 14 anos, 21 anos. Ou seja, vida longa à Coalizão!”

 

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e membro do GE:

“Para falarmos da Coalizão no curto, médio e longo prazos, temos que olhar lá atrás, para a fundação do movimento. A Coalizão surgiu porque não havia consenso entre floresta e agricultura vinculado ao clima. Não havia uma narrativa, e estávamos às vésperas do Acordo de Paris. Era preciso criar uma voz uníssona de Estado para atuar na questão climática.

O formato foi extremamente feliz e inovador, antecipando uma tendência de colaboração na busca de consenso, mas com governança equilibrada. Há uma atuação muito de fórum, e estamos em uma nova etapa, de organizar melhor esse locus de debate na construção de uma agenda para temas tão importantes para o país.

O futuro da Coalizão tem a ver com continuar a valorizar seus atributos, criando consensos, com uma boa governança e utilizando de forma inteligente a sua grande rede.”