Organizações da sociedade civil, especialistas e empresas lançam documento em que propõem um modelo de desenvolvimento para o país com zero emissões líquidas

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Foto: DiegoMoreiraProf/Wikimedia Commons

O desenvolvimento do Brasil por meio de uma economia de baixo carbono é a visão de um futuro possível. Com esse cenário foi criada a Iniciativa Clima e Desenvolvimento pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Centro Clima da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Instituto Talanoa. O movimento é composto por especialistas, empresas e organizações da sociedade civil que acreditam nesse horizonte para o país.

Laura Lamonica, coordenadora executiva da Coalizão Brasil, e Renato Grandelle, coordenador de Comunicação do movimento, fazem parte do Grupo Executivo da iniciativa. O cofacilitador da Coalizão, Marcello Brito, presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), integra o Grupo Externo.

A Iniciativa Clima e Desenvolvimento lançou, em outubro, o estudo Clima e Desenvolvimento: visões para o Brasil 2030, que mostra desafios e oportunidades para uma transição do atual modelo de desenvolvimento do país para um modelo de zero emissões líquidas. Foram ouvidos cerca de 300 especialistas e lideranças de governos subnacionais, parlamentares, organizações da sociedade civil, empresas, comunidades, investidores e iniciativa privada sobre como aumentar a ambição brasileira para diminuir as emissões do país.

O estudo propõe que, se o país trabalhar principalmente em três frentes – precificação de carbono, controle do desmatamento e investimento em uma economia de restauração florestal, será possível reduzir entre 66% e 82% de suas emissões (tendo como ano-base 2005), dependendo do cenário simulado.

O primeiro cenário seria o de referência, considerando a retomada econômica com distribuição de renda, mas sem política amigável para o clima, o que alcançaria apenas 41% de redução das emissões, abaixo da meta proposta pelo Acordo de Paris (43%).

O segundo é o cenário de retomada e transição justa, que acrescenta ao cenário de referência uma redução radical do desmatamento, ações de reflorestamento em terras públicas e privadas, precificação de carbono e taxa sobre emissões de combustíveis fósseis. Assim, prevê-se que os 66% de redução seriam alcançados.

O terceiro e mais ambicioso é o cenário de retomada, com transição justa para a neutralidade climática e taxa anual de desmatamento zero em 2030 (para Amazônia e Mata Atlântica), o que permitiria a redução de 82% das emissões do país. 

O documento foi apresentado no Brazil Climate Action Hub, na COP 26.