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  • 10-Mar
  • 2016

São Paulo, 10 de março de 2016 - Instalada em dezembro de 2014, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é uma iniciativa formada por associações setoriais, empresas, organizações da sociedade e indivíduos, interessados em contribuir para o avanço e a sinergia das agendas de proteção, conservação e uso sustentável das florestas, agricultura sustentável e mitigação e adaptação às mudanças climáticas, no Brasil e no mundo.

O ano de 2015 foi muito importante para a agenda nacional e internacional de mudança do clima, por conta das negociações da COP21, que resultaram no Acordo de Paris. Neste sentido, a Coalizão estabeleceu um diálogo entre diferentes atores, o Governo Federal e as principais organizações internacionais envolvidas com o tema, visando contribuir com as negociações multilaterais e a agenda econômica do país.

O movimento construiu, ao longo de seis meses, um documento coletivo contendo dezessete propostas para o compromisso de mudanças climáticas, em nível nacional e internacional. Neste escopo de trabalho, iniciativas para uma agricultura de baixas emissões de gases de efeito estufa (GEE) foram levantadas para dar escala à contribuição positiva desse setor para as metas de mitigação.

Como contribuição aos esforços globais de redução dos impactos da mudança do clima, a agropecuária brasileira tem o potencial de apresentar as propostas elencadas a seguir.

A. Reduzir de forma contínua as emissões de GEE e/ou o balanço líquido de CO2eq, por meio da adoção em escala de práticas de baixas emissões e alto sequestro de carbono, como: recuperação de pastagens degradadas, intensificação moderada da bovinocultura de corte, ampliação de sistemas de integração lavoura-pecuária (iLP) e lavoura-pecuária-floresta (iLPF), adoção de sistemas de plantio direto (SPD), uso de cultivares que realizam a fixação biológica do nitrogênio (FBN), florestas plantadas e tratamento de dejetos animais.

B. Incluir incentivos para a expansão agrícola e pecuária em áreas atualmente degradadas: aproveitar o potencial de expansão sobre estas áreas, evitando assim a perda de carbono do solo e a conversão de ecossistemas naturais. Essa aspiração deve orientar os planos plurianuais de investimento e ação, uma vez que representa o maior potencial de redução de emissões de GEE pelo setor [1]. Trata-se ainda de uma medida essencial para suprir, de forma sustentável, a demanda por produtos agropecuários.

C. Aperfeiçoar o Plano ABC, de forma a garantir o cumprimento das metas atuais e sua expansão no período pós-2020: manter, implementar, monitorar e dar maior transparência ao Plano, incluindo a estratégia de capacitação de gestores estaduais e todas as atividades de apoio ao produtor previstas.

D. Aumentar os recursos destinados ao Programa ABC dentro do Plano Agrícola e Pecuário.

E. Eliminar das cadeias produtivas brasileiras produção oriunda de desmatamento ilegal ou de exploração ilegal.

F. Destacar a contribuição da agropecuária brasileira em relação à manutenção da vegetação nativa conservada e a ser restaurada nas propriedades rurais por conta das exigências do Código Florestal e dos compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil. Uma vez que se encontra dentro das propriedades agrícolas e sob responsabilidade dos produtores rurais, o carbono retido ou sequestrado nas áreas de conservação deve ser valorizado como um esforço do setor agropecuário.

G. Incentivar a produção sustentável, a inovação e o desenvolvimento tecnológico no setor de agroenergia, considerando o potencial dessa fonte na substituição de combustíveis fósseis e na diversificação da matriz energética nacional.

H. Reforçar a integração intersetorial para que os gargalos para implementação dessas propostas sejam contornados e todo o potencial de redução do setor agropecuário seja de fato atingido. Dentre os setores que necessitam de integração com as políticas agropecuárias, destacam-se: infraestrurura, logística, energia, regularização fundiária e ambiental e assistência técnica.

Uma série de estudos recentes demonstra o grande potencial da agropecuária brasileira em contribuir de forma significativa para a redução de emissões. No entanto, indefinições em relação ao ritmo lento de adoção das práticas de baixo carbono ao longo do tempo, não permitiram inserir neste documento um volume específico de redução de emissões de GEE pelo setor agropecuário para o novo período de compromisso no âmbito do Acordo de Paris. Além do potencial de mitigação já apresentado pelo Plano ABC, análises do Observatório do Clima e do Observatório ABC também demonstram que a agropecuária brasileira pode ser crucial na redução do aquecimento global. As propostas demonstram o seguinte potencial:

  • O Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC) indica que a adoção das tecnologias previstas até 2020 tem o potencial de mitigar de 133,9 a 162,9 MtCO2 eq [2].
  • O Observatório do Clima [3] em parceria com o Imaflora [4] calcula que com a adoção de tecnologias de baixas emissões de carbono, a agropecuária brasileira tem o potencial de reduzir em 50% a emissão projetada para 2030 em relação ao ano de 2013, passando de 520 MtCO2eq (2013) para 280 MtCO2eq (2030). A proposta considera um aumento de 30% na produção agropecuária e prevê, dentre outras ações, a recuperação de pastagens e seu uso para expansão agrícola e criação de bovinos. Os cálculos também consideram o balanço de emissões e remoções de CO2 por solos agrícolas e de pastagens.
  • O Observatório ABC calcula que, de 2012 até 2023, o potencial de mitigação da agropecuária brasileira pode chegar a 1.8 bilhão tCO2 eq. Este número é 10 vezes maior do que a meta de redução de emissões estipulada pelo Plano ABC e considera apenas a adoção de três tecnologias (recuperação de pastagens, iLP e iLPF), porém de forma ampla, em 52 milhões de hectares de pastagens degradadas. 

As referências citadas reforçam o enorme potencial da agropecuária brasileira em reduzir emissões, se conciliado a políticas públicas multisetoriais e mecanismos que garantam a atratividade da adoção das tecnologias de baixo carbono disponíveis. É preciso, contudo, ressalvar que a realização de todo esse potencial depende da solução de entraves e gargalos que fogem ao controle do setor agropecuário, relacionados a questões fundiárias, logísticas, de treinamento, entre outras.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura está comprometida com a promoção e proposição de políticas públicas, ações e mecanismos financeiro/econômicos para o estímulo à agricultura, pecuária e economia florestal que impulsionem o Brasil para liderança global da economia sustentável e de baixo carbono, gerando prosperidade para todos, com inclusão social, geração de emprego e renda. Colocamo-nos à disposição do Governo brasileiro para contribuir com esta agenda, assim como para esclarecer quaisquer pontos do presente documento.

 

1 De acordo com o Observatório da Agricultura de Baixo Carbono (Observatório ABC), as pastagens degragadas emitem, em média, 4tCO2e ha-1 ano-1. (Carvalho et al., 2010; Salton, 2005; Alvez et al., 2006; Lima et al., 2001; Souza et al., 1997). Uma série de dados e estudos compilados por Bustamante et al. (2006) indicam que a recuperação e o manejo correto de pastagens degradadas no Cerrado resultariam em um acúmulo médio de 5,5 tCO2e ha-1 ano-1. Estes dados corroboram análilses realizadas pela Embrapa e reforçam o grande potencial de redução de emissões de GEE pela recuperação e uso inteligente das pastagens degradadas no Brasil.
2 Plano ABC (2012): http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/download.pdf
3 Proposta do Observatório do Clima para a Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida do Brasil (Observatório do Clima, 2015): http://www.observatoriodoclima.eco.br/wp-content/uploads/2015/06/proposta-indc-oc.pdf
4 Iniciativa de clima e agricultura do Imaflora: http://www.imaflora.org

 

Sobre a Coalizão Brasil
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento multissetorial que se formou com o objetivo de propor ações e influenciar políticas públicas que levem ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com a criação de empregos de qualidade, o estímulo à inovação, à competitividade global do Brasil e a geração e distribuição de riqueza a toda a sociedade. Mais de 110 empresas, associações empresariais, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil já aderiram à Coalizão Brasil – www.coalizaobr.com.br.

  • 29-Fev
  • 2016

São Paulo, 25 de fevereiro de 2016 – Em menos de dois meses, no dia 22 de abril, o Brasil deve participar de uma cerimônia convocada pela ONU, em Nova York (EUA), para que as nações do mundo assinem o Acordo de Paris. Assim, os países dão início ao processo de ratificação das metas assumidas na Conferência do Clima (COP 21), em dezembro de 2015.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que representa diversos setores da sociedade engajados nos desafios das mudanças climáticas, espera que o governo brasileiro ratifique o Acordo de Paris o mais breve possível. Ao fazer isso, o país demonstrará mais uma vez sua capacidade de protagonismo mundial, como ocorrido durante as negociações de Paris. O Acordo entra efetivamente em vigor quando mais de 55 países, que somem pelo menos 55% das emissões globais de gases de efeito estufa, tiverem completado o processo de ratificação.

  • 21-Dez
  • 2015

O Acordo de Paris, definido em 12 de dezembro, impõe o desafio de concretização de metas para o enfrentamento das mudanças climáticas. Esse processo passa pela criação e fortalecimento de mecanismos de mercado e de políticas públicas de financiamento, em especial na área de florestas e agricultura.

São Paulo, 21 de dezembro de 2015 — Celebrado o histórico esforço global para a criação do Acordo de Paris, em 12 de dezembro, começa um desafio igual, ou talvez maior, para tornar realidade o que está nele registrado. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura acompanhou de perto as negociações na Conferência do Clima (COP 21),com mais de 50 representantes em Le Bourget. Na avaliação dos integrantes dessa aliança multissetorial o acordo é um norte, ele fincou a pedra fundamental da economia de baixo carbono.

  • 10-Dez
  • 2015

Acelerar a descarbonização da economia, promover a revisão das contribuições nacionais antes mesmo de 2020 e incrementar instrumentos e mecanismos de apoio são as escolhas certas para chegar a um bom acordo, que dará o norte para a humanidade seguir por um caminho mais inclusivo e próspero, afirma a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

Paris-Le Bourget, 10 de dezembro de 2015 - Com a proximidade do fim da Conferência do Clima em Paris, há uma série de pontos chave que ainda precisam ser resolvidos para garantir o sucesso do novo acordo global para a mudança do clima. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura reforça a importância de que esse acordo contemple uma definição clara de meta de longo prazo e o início da revisão das contribuições nacionalmente determinadas antes de 2020 (por ora, incluídas nas INDCs apresentadas pelos países este ano). São dois pontos cruciais, que podem dar uma direção positiva para o mundo seguir rumo a um modo de vida mais próspero, inclusivo e sustentável.

  • 01-Dez
  • 2015

Mecanismo internacional que recompensa quem reduz emissões por desmatamento e degradação, o REDD+ precisa ser mais desenvolvido e difundido no Brasil. A Estratégia Nacional de REDD+ está em construção pelo governo federal. A sociedade precisa conhecer seus detalhes e participar de sua implantação.

São Paulo, 1 de dezembro de 2015 — Mais projetos, de diferentes escopos, deveriam ter facilidade para acessar os recursos do mecanismo de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal), de maneira a ampliar o alcance de seus benefícios sociais, econômicos e ambientais. Para definir como isso pode ocorrer, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura defende que a sociedade brasileira precisa participar da definição da Estratégia Nacional de REDD+, em fase de elaboração pelo governo federal. Ao mesmo tempo, tal instrumento deve ganhar reforço por parte do Brasil durante as negociações do clima na COP 21.

  • 01-Dez
  • 2015

Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura reforça a importância dos mecanismos econômicos para carbono e serviços ecossistêmicos, a fim de se reduzir as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE), ao mesmo tempo em que promovem reflorestamento, manutenção de florestas e geração de renda

São Paulo, 1 de dezembro de 2015 — Ampliar os mecanismos de valorização econômica do carbono e dos serviços ecossistêmicos é crucial para conter a elevação da temperatura média do planeta em até 2oC em relação ao período anterior à Revolução Industrial e mitigar os efeitos das alterações climáticas.