Governo do Espírito Santo e coalizão de ambientalistas e setor privado lançam Grupo de Trabalho para dar escala à silvicultura de espécies nativas

 

O Espírito Santo já se consolidou como líder brasileiro de políticas de base florestal. Com um dos maiores polos nacionais de florestas plantadas com espécies exóticas, o estado foi pioneiro em iniciativas de restauração, como o Programa Reflorestar e também de produção sustentável, como o Programa Mais Floresta Produtiva. Agora, dando sequência a este protagonismo, o ES dá outro passo importante nesta direção ao instituir um Grupo de Trabalho que tem como objetivo criar incentivos para que as espécies nativas tenham mais atratividade econômica, ganhem mercado e escala.

A iniciativa foi anunciada em um evento do Governo do Estado neste dia da água (22 de março), já que uma das medidas mais eficientes para garantir a segurança hídrica é investir nas florestas. Elas são fundamentais e influenciam diretamente no regime de chuvas e também na recuperação e preservação de nascentes. Estudos mostram ainda seu enorme potencial de filtragem de partículas, que podem gerar economia para os sistemas de captação e abastecimento de água. 

Com alto potencial nos mercados interno e externo, as espécies nativas cumprem funções ecológicas importantíssimas e são capazes de gerar retornos econômicos consideráveis. Apesar disso, as mesmas ainda são pouco utilizadas na silvicultura por conta de inúmeros obstáculos, que vão desde a falta de investimento a questões de legislação. É nesse contexto que a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – movimento formado por mais de 280 representantes do agronegócio, setor financeiro, sociedade civil e academia - e o governo do Espírito Santo decidiram iniciar uma parceria para apoiar o GT Nativas a implementar no estado um conjunto de propostas que visam superar esses entraves e dar escala à silvicultura de nativas. 

A Coalizão Brasil propõe quatro linhas prioritárias para transformar o país em líder global neste tema: Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI); Marco Regulatório; Mercado; e Financiamento e Investimentos. É esse conhecimento que será aportado e alavancado no Grupo de Trabalho lançado pelo Governo do Espírito Santo. 

“O Acordo de Paris, a Declaração de Nova York, a Iniciativa 20 x 20 e o Desafio de Bonn são iniciativas que reconhecem a restauração de florestas e o reflorestamento como uma estratégia fundamental para mitigar as mudanças climáticas e melhorar a resiliência econômica e social”, explica Miguel Calmon, líder do tema na Coalizão Brasil. “A silvicultura de espécies nativas tem tudo para ser um bom negócio e, ao mesmo tempo, contribuir para a meta de restaurar e reflorestar os 12 milhões de hectares de terras degradadas que o Brasil assumiu sob o Acordo de Paris”, completa. 

Hoje, o estado do Espírito Santo já possui programas de P&D de espécies nativas que são referência no Brasil, como a Reserva Natural Vale, além de contar com outras empresas como a Suzano, que podem impulsionar essa agenda por meio de sua cadeia produtiva. Organizações de conservação e restauração, como TNC Brasil, WRI Brasil e WWF Brasil, também atuam na região e, assim como a Vale e a Suzano, integram a Coalizão Brasil e estarão à frente deste Grupo de Trabalho junto com o Governo do Estado.

 

Sobre a Coalizão Brasil

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento multissetorial que se formou com o objetivo de propor ações e influenciar políticas públicas que levem ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com a criação de empregos de qualidade, o estímulo à inovação, à competitividade global do Brasil e à geração e distribuição de riqueza a toda a sociedade. Hoje ela congrega mais de 280 empresas, associações empresariais, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil. Para outras informações, acesse: www.coalizaobr.com.br