O Acordo de Paris segue em frente

mosaico COP22

Fotos: Luana Maia e UN Climate Change

Marrakesh, 18 de novembro de 2016 - A 22ª Conferência da ONU para Mudanças do Clima, a COP 22, termina nesta sexta-feira (18/11), em Marrakesh, no Marrocos, com os países reafirmando sua determinação e esforço global com o Acordo de Paris, incluindo o anúncio, por algumas nações, de novas metas, mais ambiciosas, em relação a suas NDCs (os compromissos assumidos na capital francesa em dezembro passado). A Proclamação de Marrakesh — que contém ações e datas-chaves para a implementação do Acordo nos próximos anos —  dá concretude às medidas necessárias para a redução das emissões de gases do efeito estufa e descarbonização da economia global.

O governo brasileiro, representado pelo seu chefe de delegação, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, reafirmou em plenária o compromisso do país em prosseguir com os esforços para limitar o aumento da temperatura em 1,5 °C até 2100, convidando todas as partes envolvidas no Acordo a demonstrarem seu empenho inequívoco nesse sentido. “A declaração do Brasil na plenária sobre os esforços por 1,5 °C indica que nosso país tem condições de fazer sua transição para uma economia baseada na descarbonização ao longo do tempo, podendo ir além do compromisso estabelecido originalmente em nossas metas de Paris”, ressaltou Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, também presente à conferência, destacou a importância da agropecuária no compromisso de redução de emissões brasileiras e reforçou a necessidade de investimento e financiamento para implementação das metas do setor. “O importante para a Coalizão é definir o caminho para a implementação e contribuir para o cumprimento das metas do Acordo de Paris. Sabendo que existe um plano de execução e a disposição de seguir adiante em diálogo amplo com a sociedade, temos agora uma agenda doméstica para trabalhar na efetivação de nossas metas”, afirma Marcelo Furtado, facilitador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multissetorial que reúne 150 empresas, organizações da sociedade civil, associações setoriais e centros de pesquisa com o objetivo de promover a economia de baixo carbono com foco no uso da terra.

A conferência de Marrakesh foi marcada por negociações técnicas para a regulamentação e concretização do Acordo de Paris, firmado em dezembro passado. Apesar das incertezas sobre como a nova administração norte-americana lidará com a Convenção do Clima, a grande maioria dos negociadores de diferentes nações permaneceu determinada a frear as mudanças climáticas.

A presença dos setores empresarial e financeiro foi destaque na COP deste ano. Muitas discussões focaram no desenvolvimento de mecanismos inovadores de financiamento para a implementação das NDCs. “Há uma convergência entre meio ambiente e mercado que moverá essa roda. A busca por mais eficiência e redução de emissões nas cadeias produtivas, bem como a disposição em ajudar a financiar a descarbonização da economia, mostram que já estamos em uma nova era, um caminho sem volta, que mudará paradigmas do nosso estar no mundo”, destaca Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds).

Um caminho fundamental para o avanço brasileiro e seu protagonismo real na nova economia baseada em baixa emissão está no setor do uso do solo. “As florestas têm um papel essencial para o sucesso do Acordo de Paris. Temos o importante compromisso de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares — área equivalente ao território da Inglaterra —, o que, além de promover sequestro de carbono, pode trazer desenvolvimento econômico, social e sustentável de diversas comunidades locais e tradicionais”, complementa André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

“A maior parte de nossos compromissos da NDC está ancorada no uso da terra, que envolve a economia florestal, a agropecuária e o fim do desmatamento ilegal”, salienta João Adrien, diretor executivo da Sociedade Rural Brasileira (SRB). “O setor florestal tem um papel importantíssimo na construção de uma economia de baixo carbono para o país e pode gerar um potencial para a criação de um novo modelo de desenvolvimento com prosperidade e sustentabilidade”, completa Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

O uso inteligente de recursos naturais também se destacou no campo energético, em que o Brasil tem como trunfo tecnologias de produção de biocombustíveis, capacidade técnica consagrada de utilização dos mesmos e um sistema de distribuição estabelecido e operante. “Temos grande potencial para ampliar ainda mais o uso de biomassa, biocombustíveis e da bioenergia e, assim, descarbonizar nossa economia”, diz Elizabeth Farina, diretora presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A Coalizão Brasil promoveu, na COP 22, dois debates sobre a importância e o papel da agricultura e florestas no cumprimento do Acordo do Clima. Em um deles, contou com a presença de representantes dos ministros da Agricultura e Meio Ambiente, Banco Mundial, da Climate Policy Initiative e da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que destacaram que o Brasil pode ser um exemplo de liderança na agricultura de baixo carbono e manejo florestal sustentável.

Sobre a Coalizão Brasil

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento multissetorial que se formou com o objetivo de propor ações e influenciar políticas públicas, as quais levem ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com a criação de empregos de qualidade, o estímulo à inovação, à competitividade global do Brasil e à geração e distribuição de riqueza a toda a sociedade. Mais de 150 empresas, associações empresariais, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil já aderiram à Coalizão Brasil – coalizaobr.com.br.

 

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