Marcello Brito, cofacilitador da Coalizão, é entrevistado no programa ‘Roda Viva’

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Crédito: TV Cultura

 

“O que nos resta é ser uma grande potência agroambiental”, disse Marcello Brito, cofacilitador da Coalizão Brasil, no último dia 30 de agosto, no programa de entrevistas “Roda Viva”, da TV Cultura. Aos jornalistas, ele acrescentou que o Brasil não conseguirá melhorar sua imagem no exterior enquanto não eliminar o desmatamento ilegal, que mancha todos os setores da economia.

Brito, que também é presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), apresentou sua visão agroambiental de desenvolvimento para o setor rural brasileiro e para o país e teve a oportunidade de destacar como a Coalizão atua em algumas de suas temáticas.

“A Coalizão é formada por vozes divergentes que se sentam juntas para exercitar o que é mais difícil ao ser humano: conceder o direito do consentimento”, explicou Brito em relação a como são tomadas as decisões a partir do debate dos diversos setores que formam o movimento – privado, organizações da sociedade civil, academia e entidades financeiras.

Durante a entrevista, Britto reforçou a necessidade de o país cumprir as leis ambientais já existentes, conforme pede o documento da Coalizão “Ações para queda rápida do desmatamento”.

“A saraivada de críticas que o Brasil recebe não é por produzir soja, milho, palma e outras commodities. É por não darmos a destinação necessária para a Amazônia. O que falta é o país cumprir a lei”, afirmou, destacando que apenas 1% dos produtores rurais atuam ilegalmente, a partir da invasão ilegal de terras e promoção de queimadas. “Os outros 99% agem dentro da legalidade e são prejudicados pelo 1%.”

"Quem ganha com o quadro atual da Amazônia? O agro? Não. Setor de serviços? Não. Ninguém ganha. Cabe a todos nós perguntar quem está ganhando. Não é a maioria da população brasileira, com certeza." – Marcello Brito

Sobre o Código Florestal, reafirmou que a legislação precisa ser implementada imediatamente e sem mudanças, o que envolve lidar com o problema da regularização fundiária.

“O Código Florestal aprovou o marco temporal de 1988 [para a regularização], podendo chegar a 2012. Ir além desse prazo é premiar quem grilou terra”, defendeu. “Regularização fundiária é uma questão econômica e de justiça social.”

Britto destacou que não é necessário ampliar área por meio de desmatamento para produzir mais alimentos – muito menos em terras indígenas –, mas sim investir em áreas já degradadas e, como tem sido feito, usar tecnologias para melhorar a produtividade e diminuir a emissão de carbono. “O Brasil é campeão mundial de agricultura de baixo carbono. É preciso olhar isso como oportunidade para nadarmos de braçada nesse mercado”, afirmou. Destacou, ainda, que instituições como a Coalizão e o CEBDS têm estudado com afinco sobre a temática do mercado de carbono, mas que o governo precisa se manifestar a respeito da criação de políticas e regulamentos para termos um mercado regulado, que seria o desejável.

Além da apresentadora, a jornalista Vera Magalhães, participaram do programa os jornalistas Cassiano Ribeiro, editor-chefe da revista Globo Rural e comentarista da rádio CBN; Fernando Lopes, editor de agronegócios do jornal Valor Econômico; Gustavo Porto, do Broadcast Político, do Estadão; Mauro Zafalon, da Folha de S.Paulo; e Nayara Figueiredo, da agência de notícias Reuters.

 

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