Segundo webinar Coalizão e Valor Econômica destaca papel das Soluções Baseadas na Natureza para país atingir metas do clima

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Em 27 de maio aconteceu o segundo webinar da Coalizão Brasil, em parceria com o jornal Valor Econômico, sobre a próxima Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, a COP 26, que acontecerá em Glasgow, em novembro. Esta edição, cujo tema foi “O que diz a ciência: o papel do Brasil no cenário climático internacional”, contou com a participação de José Carlos Fonseca Junior, diretor-executivo da Indústria brasileira de Árvores (Ibá), Kevin Moss, diretor global do Centro de Negócios Sustentáveis do World Resources Institute (WRI), e Mercedes Bustamante, professora da Universidade de Brasília e autora do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A mediação foi de Rachel Biderman, co-facilitadora da Coalizão, e Daniela Chiaretti, jornalista do Valor Econômico.

O primeiro webinar aconteceu em abril e teve como tema “Da cúpula do clima à COP 26, o que está em jogo?”.

A discussão no segundo evento girou em torno de como as empresas têm utilizado a Ciência para cumprir com o desafio de diminuir suas emissões de gases de efeito estufa. Um exemplo disso é a iniciativa Science Based Targets Initiative (SBTi), que tem à frente organizações como CDP, Pacto Global da ONU, WRI e WWF e reúne cerca de 1,5 mil empresas comprometidas com a transição para o carbono zero, muitas com metas definidas com base na ciência do clima.

Bustamante reforçou a importância da pesquisa científica no Brasil, mas destacou que o negacionismo científico tem aumentado nos últimos anos. No entanto, é esse histórico da pesquisa brasileira que pode, na opinião da professora, fazer com que o Brasil contribua com metas mais ambiciosas para a COP 26, investindo em Soluções baseadas na Natureza (SbN). “Manejo adequado dos recursos naturais e a utilização das funções ecossistêmicas para a compensação de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera são exemplos de Soluções baseadas na Natureza”, disse.

Rachel Biderman reafirmou a necessidade da ênfase na ciência. “Assistimos ao impacto do negacionismo científico na pandemia de Covid-19 e não podemos deixar o mesmo acontecer com o desafio climático”, afirmou.

Os debatedores do webinar também apontaram como a imagem do Brasil está sendo afetada pelo cenário político e enfatizaram que as inflexões na atual política ambiental do país têm prejudicado e promovido a desconstrução da governança ambiental.

Para Kevin Moss, do WRI, o cenário de hoje tem de ser regido pela esperança e o trabalho, feito em parceria entre ONGs e o setor privado. Segundo ele, essa relação tem tudo para dar certo já que as empresas sabem como se comunicar com as pessoas e com o governo, além de reconhecerem o conhecimento científico como fundamental para que possam avançar nas suas ambições.

Ele destacou, ainda, a importância do consenso entre as partes na busca por um objetivo em comum. “As empresas têm o compromisso de emissões zero. Para isso, precisamos investir já em Soluções baseadas na Natureza, tendo o cuidado de não deixar de lado questões de igualdade e justiça”, disse.
José Carlos Fonseca Junior citou, como exemplo de SbN, as florestas plantadas de eucalipto, que contribuem para a captura de CO2 da atmosfera. “Hoje esse serviço ecossistêmico não é contabilizado, mas essa é uma oportunidade atraente para as empresas no âmbito dos créditos de carbono”, afirmou.
O segundo webinar da série “Coalizão Brasil para a COP 26” está disponível no Youtube.