Parceria entre Coalizão e Valor promove webinários para discutir temas que estarão em jogo na COP 26

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Uma parceria entre a Coalizão Brasil e o jornal Valor Econômico irá promover seis webinários sobre os principais temas que estarão em jogo na próxima Conferência do Clima, a COP 26, a ser realizada em novembro deste ano no Reino Unido.

O primeiro evento foi realizado em 26 de abril, logo após a Cúpula do de Líderes sobre o Clima. O próximo acontece esta semana, no dia 27 de maio, às 14h, com o tema “O que diz a Ciência: o papel do Brasil no cenário climático internacional”. As inscrições podem ser feitas aqui.

Até setembro, haverá outros quatro encontros, que terão como temas o setor privado, o Cerrado e a Amazônia (confira a programação aqui). O objetivo, ao final, é criar uma lista de recomendações relacionadas ao uso da terra no Brasil, que será entregue aos negociadores brasileiros que participarão da conferência.


Resultados do primeiro webinar da série

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O evento “Da Cúpula do Clima à COP 26: o que está em jogo?”, realizado em 26 de abril, contou com a participação de Izabella Teixeira, copresidente do Painel Internacional de Recursos Naturais da ONU, Gonzalo Munõz, High Level Champion em Ação Climática para a COP 25, e Caroline Prolo, sócia da área ambiental e de mudanças climáticas do Stocche Forbes Advogados.

Mediado por André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), e pela jornalista Daniela Chiaretti, o webinar abordou os desafios do Brasil frente à nova realidade climática mundial, o Artigo 6º do Acordo de Paris e a representatividade de minorias e juventude, entre outros temas. “Esperamos que a COP 26 mostre a nossa capacidade de combinar ação imediata e solidariedade imediata”, afirmou Munõz.

A participação do Brasil na Cúpula dos Líderes sobre o Clima, realizada nos dias 22 e 23 de abril, foi um dos pontos debatidos pelos convidados. Para Izabella Teixeira, que também foi ministra do Meio Ambiente, a falta de apresentação de compromissos e metas claras pelo Brasil afeta o modo como a comunidade internacional enxerga o país. Segundo Teixeira, o país permanece preso a pautas que já deveriam estar no passado, como o desmatamento, e perde a oportunidade de mostrar ao mundo o interesse e o potencial que possui para um futuro de baixo carbono.

A advogada Caroline Prolo abordou a importância do engajamento do setor privado na compra de créditos de carbono. "Está em jogo o futuro da economia de baixo carbono", disse. A convidada falou ainda da esperada regulamentação do Artigo 6º do Acordo de Paris, que trata da cooperação e regulamentação do mercado de carbono global. O artigo faz parte de um documento de 29 artigos do acordo, que visa limitar o aumento da temperatura global a menos de 2 oC, com esforços para que fique abaixo de 1,5 ºC.

Na visão de Prolo, a realidade atípica que a pandemia gerou no mundo pode favorecer a regulamentação do artigo, devido ao engajamento do setor privado e à retomada econômica verde apoiada por líderes mundiais, como foi visto na Cúpula do Clima. Ela também ressaltou a importância da regulamentação para o Brasil: "De um lado, o país pode se ver recebendo recursos financeiros para promover medidas de redução de emissões e, de outro, tem a possibilidade de o setor privado brasileiro ser um grande fornecedor de créditos de carbono".

Sobre como a aprovação do Artigo 6º afetará os mercados voluntários que atualmente regem a precificação do carbono, Prolo afirma que estes ainda serão uma realidade por muito tempo, já que somente um quinto das emissões cobertas por preços de carbono são hoje estabelecidos pelos governos. Por se tratar de um processo gradual, os dois sistemas irão andar em paralelo, diz Prolo.

No webinar, também foram levantadas preocupações acerca do desempenho do país ao lidar com a pandemia da Covid-19 e como isso diz respeito a inovação, tecnologia, competitividade e conservação ambiental. Para Izabella Teixeira, o Brasil possui uma posição favorável mundialmente, mas as falhas na organização de ambições e no diálogo com outros países acabam sendo um fator de atraso.

No que diz respeito a atingir as metas de neutralidade de emissões de carbono até 2050, também chamados de net zero, Caroline Prolo lembrou que, se o mundo pretende cumprir as metas de redução do Acordo de Paris até 2050, a quantidade de carbono emitida já deverá estar reduzida pela metade até o ano de 2030.

A importância da representatividade de minorias na COP 26 foi citada e Gonzalo Munõz garantiu o crescimento da inclusão das mesmas no futuro. “Estamos trabalhando fortemente em incorporar mais a juventude e mais etnias do mundo e complementar uma agenda que está tradicionalmente focada no norte do mundo, para que seja balanceada norte e sul”.

O debate finalizou com os convidados dando ênfase ao potencial do Brasil em ser um grande personagem na sustentabilidade mundial, como os interesses do país estão em jogo no momento atual e como a COP 26 é uma chance de recomeçar a governança climática do país, aproveitando o novo contexto geopolítico do mundo. "Não é só viabilizar o acordo em Glasgow, é ser parte dos grupos que se formarão a partir disso", ressaltou Izabella Teixeira.