O impacto das eleições norte-americanas para o Brasil é tema de webinar

texto6 b51

 

O impacto da eleição americana nas relações internacionais foi o tema do terceiro e último webinar da série “O Brasil no mundo”, realizada pela Coalizão Brasil e pela Fundação Dom Cabral, com apoio da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) e da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

O debate, que aconteceu em 27 de outubro e, portanto, antes das eleições norte-americanas de 3 de novembro, teve a presença dos professores Paulo Vicente, da Fundação Dom Cabral, Marcos Jank, do Insper, e do diretor executivo da Ibá, embaixador José Carlos da Fonseca Junior. A mediação foi feita pela jornalista da GloboNews, Monica Waldvogel.

Ainda na incógnita sobre o futuro governante dos Estados Unidos, os debatedores destacaram os cenários possíveis para cada um dos resultados. Os três afirmaram que um segundo governo Trump seria diferente do primeiro e que, de certa forma, mais quatro anos do governante poderia ser mais confortável para a atual gestão federal brasileira. Também defenderam a ideia de que Trump tirou os Estados Unidos do protagonismo mundial e fez com que o país se voltasse mais para questões internas. “Trump marcou a fase do America first”, disse Jank.

Para Paulo Vicente, a vitória de Biden representaria, naquele momento, uma maior cobrança ao Brasil. “Talvez seja só discurso, mas Biden disse que colocaria maior pressão nos países com florestas. Nesse sentido, seria mais complicado para o país”, afirmou.

“Sempre tivemos relações densas com os Estados Unidos. As teias que nos unem são fortes e isso não pode ser negado. No entanto, é preciso admitir que houve um alinhamento excessivo com o atual governo Trump”, disse Fonseca Junior, que afirmou ainda acreditar que, mesmo que a vitória fosse de Trump, os Estados Unidos deveriam voltar a procurar o protagonismo nas relações internacionais. “Ainda assim, considero que a vitória de Biden é muito importante para o mundo.”.

Jank destacou ainda que a eleição do candidato democrata prometeria o retorno a uma política de multilateralismo e ao protagonismo na intermediação entre países. “Será uma volta ao que os Estados Unidos já foram no passado. Ainda que a prioridade deles seja sempre a política interna, a externa será construída a partir dessas demandas”, afirmou. E mesmo que o Brasil tenha, durante os anos Trump, vendido mais soja para a China por causa da escalada tarifária por parte dos EUA, o governo Biden traria mais oportunidades, na opinião do professor. “Meio ambiente faz parte da campanha dele e o Brasil, grande produtor de biocombustível, tem muito a ganhar”, afirmou. “Nesse sentido, nosso país é o vilão (do desmatamento e queimada), vítima (das mudanças climáticas) e solução (agricultura de baixo carbono e energia renovável)”, explicou Jank.

 

Para assistir aos outros webinares, acesse a página da Fundação Dom Cabral no YouTube:
1º - Acordo Mercosul-União Europeia e OCDE
2º - Meio ambiente e as relações internacionais