Webinar apresenta avanços da plataforma de dados de restauração e reflorestamento

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No dia 2 de outubro, a Coalizão Brasil promoveu o webinar “Observatório da Restauração e Reflorestamento”, para apresentar os avanços na estruturação dessa plataforma, que tem como objetivo qualificar e integrar, em uma base única, os principais dados sobre restauração e reflorestamento silvicultural disponíveis para o território brasileiro. O evento foi organizado pela Força Tarefa de Monitoramento da Restauração e Reflorestamento, criada no âmbito do Fórum de Diálogo Floresta Nativa, da Coalizão. 

Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, falou, na abertura, sobre a importância de se ter um olhar para a questão da restauração, da regeneração e do reflorestamento no Brasil. Segundo ele, há no país 55 milhões de hectares de vegetação secundária, espalhados em todos os biomas, que representam terras que já foram desmatadas, convertidas para outros usos e agora estão em recuperação, a maior parte deles abandonada e se regenerando naturalmente. 

“Ao mesmo tempo que é uma notícia boa, elas demonstram que temos feito um uso não muito inteligente do nosso território, porque continuamos desmatando e abandonando terras. O ideal é recuperar áreas degradadas para que se tornem produtivas, evitando o avanço sobre novas áreas”, afirmou. 

Também na abertura do webinar, Patrícia Machado, coordenadora de Políticas Florestais e Bioeconomia da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), reforçou que o tema da restauração e reflorestamento está conectado com o setor de florestas plantadas. “A plataforma será muito útil para agregar informações e trazer mais know-how”, afirmou. Segundo ela, a iniciativa acontece em um momento oportuno e poderá contribuir com metas nacionais e internacionais, como o Plano Nacional de Desenvolvimento das Florestas Plantadas, do Ministério da Agricultura, as metas de reflorestamento e restauração da NDC brasileira e os novos marcos para a biodiversidade que estão sendo discutidos no âmbito da Convenção da ONU para a Diversidade Biológica. 

Milena Ribeiro, especialista em Geoprocessamento da TNC e uma das líderes da FT, apresentou, em seguida, um breve histórico do tema dentro da Coalizão e as principais frentes de atuação da FT: o mapeamento e compilação de dados existentes sobre o tema e o desenvolvimento propriamente dito da plataforma, para os quais uma consultoria foi contratada para dar apoio. 

Um objetivo importante do Observatório, explicou, é dar visibilidade e credibilidade a projetos de restauração, sejam os iniciados mais recentemente ou mais antigos. “Entendemos que é um desafio essa retroalimentação dos projetos de restauração, mas que é essencial para fazer acompanhamento, monitoramento, e até para reportar metas nacionais e internacionais e outros indicadores”, disse. 

Os critérios, definições e categorias usados para a construção da base de dados foram os temas abordados por Marcelo Matsumoto, analista de Pesquisa GSI do WRI. Uma das expectativas é poder entender quais estratégias de reflorestamento e restauração funcionam para uma determinada área, mas não para outra, por exemplo. “Com esse tipo de informação, é possível avaliar e gerar outras pesquisas que trarão informações mais detalhadas, que podem ser indicadores para estratégias mais interessantes para uma certa área, o que aumenta as chances de sucesso da restauração.”

Luis Oliveira, do Imazon, apresentou a plataforma FloreSer, realizada com base em informações do MapBiomas, de mapeamento de vegetação secundária na Amazônia. Foi possível, por exemplo, criar uma sequência histórica, de 1986 a 2019, da formação de vegetação secundária, há quanto tempo isso está acontecendo e se há novo desmatamento, o que indica a necessidade de monitorar também esse tipo de área. Em 2019, foram mapeados 17 milhões de hectares de vegetação secundária na Amazônia. O trabalho está agora sendo ampliado para outras áreas, para além da Amazônia, o que permitirá ter informações de vegetação secundária para todo o País, bem como quanto dessas áreas foi desmatado. “Este trabalho trará informações bem completas e agregará muito à nossa plataforma, ajudando a responder quanto de área está em regeneração no País.”

Na sequência, Milena Ribeiro apresentou as primeiras telas e as principais funcionalidades que a plataforma terá, como a integração com outras plataformas de dados, monitoramento de paisagem e calculadoras e indicadores de carbono, emprego e investimentos. 

Finalmente, Edson Santini, do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, abordou os próximos passos do desenvolvimento do Observatório da Restauração e Reflorestamento. Em especial, falou da importância de se construir uma governança e fluxo de dados que permitam que todos os atores envolvidos possam se beneficiar da plataforma. “As informações que vamos reportar não serão criadas pelo observatório, mas virão dos atores. A restauração não é feita pela Coalizão, mas pelas instituições que atuam localmente. Essa governança e fluxo buscam mapear essa cadeia e trazer, principalmente, resultados para todos os envolvidos”, afirmou. 

Assim, os próximos passos incluem a definição de como o Observatório vai se relacionar com os atores nacionais e subnacionais, como será feita a capacitação e treinamento sobre inserção e uso dos dados e como será a captação de recursos para manter a plataforma.