Estudo mostra que é possível monitorar origem da carne na Amazônia e no Cerrado

b50 texto 6

 

A Coalizão Brasil e a iniciativa Amazônia Possível lançaram um estudo sobre a rastreabilidade da carne no Brasil em um webinar durante a Climate Week de Nova York, no dia 23 de setembro. Uma das principais conclusões desse documento é que o País tem como monitorar e garantir a produção de carne livre de desmatamento ilegal. O estudo “Rastreabilidade da Cadeia da Carne Bovina no Brasil: Desafios e Oportunidades” traz ainda 42 recomendações para o fortalecimento do controle da qualidade ambiental da carne.

No webinar “Possible Amazon: Beef Traceablity”, Bianca Nakamato, analista de Conservação do WWF-Brasil e uma das líderes da Força-Tarefa (FT) de Rastreabilidade da Carne, criada no âmbito do Fórum de Diálogo Desmatamento da Coalizão, apresentou os principais elementos e recomendações do estudo. Márcio Nappo, diretor de Sustentabilidade da JBS e colíder dessa FT, comentou os resultados, apontando os principais desafios do ponto de vista da indústria.

O estudo foi realizado pela Agrosuisse, sob a coordenação dessa FT. Fazem parte dela as seguintes organizações: Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), EQAO, GTPS (Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável), Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), Instituto Arapyaú, Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), JBS, Marfrig, Partnerships for Forests - P4F, Solidaridad Network, TNC (The Nature Conservancy), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Vicente e Maciel Advogados e WWF Brasil.

O webinar contou também com a participação de Christopher Wells, head global de Riscos Ambientais e Sociais do banco Santander, que falou dos desafios do setor da carne do ponto de vista das instituições financeiras, de André Guimarães, diretor executivo do Ipam, e Marcello Brito, presidente da Abag. Guimarães e Brito são cofacilitadores da Coalizão Brasil.

Brito lembrou que o documento aponta caminhos para tornar a cadeia mais transparente e competitiva. “O estudo não é para dizer o que tem que ser feito. Levantamos possibilidades e caminhos para a rastreabilidade para esse setor tão importante para o Brasil do ponto de vista econômico, social, de impostos, de geração de riquezas, do desenvolvimento do país.”

Assista aqui ao webinar.

Segundo o estudo, o monitoramento da carne se torna possível mediante a integração de informações de documentos como a Guia de Transporte Animal (GTA), o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e os respectivos mecanismos legais que permitam sua validação conjunta, e seguindo as exigências estabelecidas pelos acordos firmados no âmbito do Sistema Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia de Bovinos e Bubalinos (SISBOV) e pelos Termos de Ajuste de Conduta (TACs) entre o Ministério Público Federal (MPF) e os processadores de carne operando na Amazônia Legal.

Para fortalecer e promover a transparência total da cadeia, o estudo recomenda o cumprimento de algumas etapas. A primeira é o incentivo para que fornecedores de animais tenham condições de atender às exigências de controle de qualidade ambiental da carne, o que poderia resultar em uma lista de fornecedores “premium”. Em uma segunda etapa, o controle da qualidade ambiental da carne poderia ser incorporado na legislação e normas do setor. Nesse contexto, caberia aos atores da cadeia estabelecer sistemas de governança das iniciativas que apoiassem as novas normas, e o estudo traz exemplos de como isso poderia ser feito.

Embora confirme a complexidade da cadeia brasileira da carne bovina, bem como a necessidade de aperfeiçoamento dos controles de rastreabilidade e monitoramento de forma a atender as demandas dos mercados interno e externo, além dos avanços na área tecnológica, o relatório constata o desenvolvimento de inovações capazes de garantir a disponibilidade das informações e dados necessários para permitir a melhoria dos sistemas de controle e rastreabilidade da produção.

Conheça mais sobre os principais pontos do estudo aqui.

Clique abaixo para acessar os documentos.

Estudo completo em português

Sumário executivo em português

Estudo completo em inglês

Sumário executivo em inglês