Webinar discute a imagem internacional do Brasil

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Meio ambiente e as Relações Internacionais foi o tema do segundo webinar da série “O Brasil no mundo”, realizada pela Coalizão Brasil e pela Fundação Dom Cabral, com apoio da Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) e da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores). Houve a participação de Sérgio Amaral, ex-embaixador do Brasil em Washington, Paris e Londres e ex-ministro do Desenvolvimento e Comércio Exterior; de Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e presidente da Ibá; de Ana Toni, diretora executiva do iCS (Instituto Clima e Sociedade); e de Cacau Guarnieri, estrategista web da NetNexus. A moderação foi de Heiko Spitzeck, professor e diretor do Núcleo de Sustentabilidade e do Centro de Intraempreendedorismo da Fundação Dom Cabral.

Amaral iniciou fazendo um resumo da trajetória do movimento ambientalista a partir do movimento hippie até a Rio 92. “Eram apenas jovens comprometidos com uma causa, que se transformou, aos poucos, na utopia do século 21. Depois, contagiou os intelectuais, se misturou à economia e à política”, disse. O ex-embaixador lembrou que este é o momento para uma retomada econômica que seja “verde”. “A crise do coronavírus não pode passar incólume, sem uma proposta. A Europa já decidiu que sua retomada econômica será assim e 93% dos europeus consideram o meio ambiente e a luta contra as mudanças climáticas uma prioridade.”

Ana Toni lembrou que o Brasil, em 1992, despontou como liderança ambiental e um dos principais responsáveis por disseminar uma “mancha verde” para o mundo, mas que hoje, recua. “Estamos revertendo a mancha aqui, assistindo à destruição das normas ambientais, ao estabelecimento do negacionismo climático e da ciência, sem falar nas queimadas”, citou. “O governo tem enfraquecido as leis ambientais e gerado pautas internacionais negativas”, afirmou.

 

A imagem do Brasil nas redes sociais

Cacau Guarnieri apresentou dados sobre a presença das pautas relacionadas ao agronegócio brasileiro nas redes sociais. Mostrou, por meio das análises de posts e comentários, como a imagem do país tem se mostrado cada vez mais negativa – aumento do desmatamento, queimadas, políticas, declarações contra a conservação do meio ambiente e a proteção aos povos indígenas.

“Nossa imagem sofreu arranhões gravíssimos. Mas precisamos de clareza, porque nossas ações não devem ocorrer em função da nossa imagem, mas do interesse dos brasileiros”, afirmou Paulo Hartung. “Muitas pessoas apontam o dedo para outros países dizendo que eles tiveram um comportamento inadequado e derrubaram suas florestas. Se alguém errou na caminhada histórica, perdeu competitividade no presente e, certamente, terá dificuldade de se colocar no futuro.”

Ana Toni lembrou que, para atender ao interesse dos brasileiros, é preciso ouvir o povo da Amazônia. “O Brasil colonizou a Amazônia e, agora, precisa incluí-la. E isso significa abraçar a diversidade da região e valorizar os atores locais. Mas não dá para fazer isso sem apoio do governo federal, apenas com os estaduais”, afirmou.

Em busca de soluções, Amaral propôs que os “empresários, que tomaram o papel que deveria ser do governo para si” na luta pela conservação, busquem parcerias. “É do nosso interesse fazer diálogo de boa qualidade com o mundo. Imagine se a gente cuidar bem da maior floresta tropical do planeta: a marca Brasil se fortalece, o made in Brazil ganha força e charme.”

Para que isso seja concretizado, além de integrar e respeitar os diversos atores da região amazônica e suas vocações, bem como provê-los de infraestrutura e desenvolvimento por meio da Ciência, é necessário, na opinião do ex-embaixador, estreitar parcerias. “Isso pode ser feito por meio de pesquisadores e artistas brasileiros, assim como dos correspondentes estrangeiros em nosso país. Precisamos mostrar o que tem sido feito mesmo sem apoio federal”, disse.

“É isso o que os membros da Coalizão Brasil já estão fazendo, que é a defesa da legalidade, exigência do cumprimento do Código Florestal, a condenação do desmatamento ilegal e do aumento da fiscalização. Também acredito que valha a pena investirmos em demonstrações claras das boas práticas em matéria de meio ambiente que possam ser seguidas e disseminadas no setor privado”, concluiu Amaral.


Para assistir ao webinar completo, acesse aqui.


O próximo webinar da Coalizão Brasil e FDC terá como tema o impacto da eleição americana nas relações internacionais e acontecerá no dia 27 de outubro, às 18h.

Se você perdeu o primeiro webinar, que tratou do Acordo Mercosul – União Europeia e possível adesão do Brasil à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), clique aqui para assistir.