Webinares debatem o Brasil aos olhos do mundo

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“O Brasil no Mundo” é o tema de uma nova série de webinares promovida pela Coalizão Brasil e a Fundação Dom Cabral, com apoio da Abag e da Ibá, para debater questões da agenda internacional, como a reputação do país diante dos acontecimentos recentes na área ambiental e qual imagem positiva pode ser construída. O primeiro webinar aconteceu no dia 25 de agosto, às 11h, para falar sobre o que o Acordo Mercosul – União Europeia e a possível adesão do Brasil à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) representam para o País. Também foram debatidos o que é preciso para que essas frentes se concretizem e os desafios e as oportunidades que trazem para os diferentes setores, como o agronegócio e a indústria.

O debate teve a participação de Carlos Braga, professor da Fundação Dom Cabral nas áreas de economia internacional, cenários macroeconômicos, estratégia empresarial e organismos internacionais; Marcos Galvão, embaixador do Brasil junto à União Europeia; e Sandra Rios, diretora do Cindes (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento). O mediador foi André Guimarães, cofacilitador da Coalizão e diretor-executivo do IPAM - Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

O embaixador Galvão explicou como funciona o processo de consolidação do acordo com a União Europeia e que, para além das já clássicas atitudes protecionistas, “agora se fortalece uma nova postura, que é a do precaucionismo. Inclui, entre outras dimensões, a agenda ambiental e de mudança do clima, preocupações com saúde, bem-estar e liberdade de escolha do consumidor”. E lembrou que, na Europa, o meio ambiente e as mudanças climáticas são questões reais e prioritárias. “O Brasil, pelo peso que tem como exportador agrícola e por sua visibilidade ambiental, se torna objeto de atenção intensa.”

Carlos Braga abordou o potencial de aumento de comércio entre os dois blocos e destacou que o acordo tem uma série de características importantes, como toda uma parte sobre desenvolvimento sustentável, incluindo o comprometimento com o Acordo de Paris. Segundo ele, do ponto de vista de meio ambiente, as análises que a própria Comunidade Europeia faz sobre o Brasil são relativamente positivas porque o país tem uma matriz energética mais limpa, mas destacou que a questão do desmatamento é um ponto sensível. “A percepção do momento é muito negativa. Temos que corrigi-la, mas devemos fazer nosso dever de casa”, afirmou.

Com relação à OCDE, Braga disse que o Brasil está alinhado em grande parte com os códigos da organização sobre mecanismos regulatórios, investimento direto, competição, questão tributária, mas que os pontos que faltam serem resolvidos, como bitributação, são os mais difíceis e demandarão negociações.

Em sua fala, Sandra Rios destacou que o Brasil terá de mostrar não só que tem regulações e arcabouço normativo compatíveis com a OCDE, mas que está disposto a implementá-los. Há, segundo ela, uma “distância entre o que está escrito e praticado. Isso agora está na mesa, tanto do ponto de vista do acordo com a UE quanto com a OCDE. Mostrar que o país compartilha de fato desses valores e que está disposto a implementá-los será fundamental.”

O vídeo do webinar está disponível no canal do YouTube da Fundação Dom Cabral.

Os próximos webinares acontecerão em 24 de setembro, às 18h (“O Brasil no mundo: meio ambiente e relações internacionais”) e em 27 de outubro, também às 18h (“O Brasil no mundo: o impacto da eleição americana nas relações internacionais”).

A agenda internacional da Coalizão

A Coalizão tem se mantido atenta à agenda internacional. No início do ano, por exemplo, realizou um webinar para avaliar a COP 25 e alinhar os próximos passos na agenda internacional. À época, Marcelo Furtado, presidente do Conselho do WRI Brasil e membro do Grupo Estratégico do movimento, também fez uma análise sobre esse tema, abordando a atenção dos investidores internacionais aos desafios climáticos.

Em fevereiro, o Grupo Estratégico se reuniu e definiu o estabelecimento de uma estratégia para a agenda internacional como uma das diretrizes do movimento para este ano. Como consequência, foi criada, no âmbito do Fórum de Diálogo de Políticas Públicas e Instrumentos Econômicos, uma Força-Tarefa de Estratégia Internacional. A FT trabalha, no momento, na definição da estratégia internacional para 2020-2021, visando à atração de capitais para a agenda agroambiental no Brasil. Você pode acompanhar as ações da FT na nossa Plataforma do Plano de Ação.