Coalizão reúne ex-ministros da Agricultura e do Meio Ambiente para debater futuro do país

texto 4 foto 1 boletim 43

Foto: Coalizão Brasil

 

Os ex-ministros José Sarney Filho, do Meio Ambiente, e Blairo Maggi, da Agricultura, estiveram na Plenária de membros da Coalizão, no dia 3 de dezembro, em São Paulo, para falar sobre como construir uma agenda agroambiental para o Brasil.

A conversa foi conduzida pelos cofacilitadores da Coalizão Brasil, André Guimarães e Luiz Cornacchioni. Guimarães introduziu a conversa lembrando como os mercados consumidores estão valorizando a questão ambiental, levando ao cenário que vem sendo defendido pela Coalizão de que é possível produzir mais, sem abrir novas áreas de floresta para a agropecuária.

Blairo Maggi afirmou que, durante a sua gestão, os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura não caminhavam em direções opostas. “Zequinha [Sarney Filho] e eu, quando éramos ministros, mostramos que nossas pastas não eram antagônicas e, juntos, indicávamos para os países por onde viajávamos o caminho que o Brasil vinha trilhando, de diminuir o desmatamento e aumentar a produção”, disse. O ex-ministro apontou ainda a importância das políticas governamentais de longo prazo para condução da atividade agropecuária no país. “Eu admirava muito meu pai, porque ele foi um desbravador. Hoje sei que ele se mudava com a família de um estado do País para outro porque havia políticas governamentais que incentivavam isso. O governo aponta o rumo a ser seguido, por isso, sem políticas públicas é difícil atingir as metas que são propostas aqui pela Coalizão. Talvez a sociedade civil organizada tenha de encabeçar os movimentos e guiar o governo”, afirmou.

Maggi reforçou ainda como a sociedade civil tem conseguido movimentar o mercado atual no setor agropecuário. “Se há uma exigência na Noruega, três dias depois essa demanda chega às empresas exportadoras do Brasil. Temos que estar totalmente alinhados com o que acontece no mundo para continuarmos com esses mercados abertos para nós”.

Guimarães chamou a atenção para o ex-ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, sobre a atual escalada do desmatamento e o instigou a comentar sobre como será possível retomar a boa reputação internacional do Brasil. O ex-ministro defendeu que, para conter o desmatamento, é necessária uma política de “comando e controle”. Isso significa, segundo ele, manter os órgãos de monitoramento atentos e promover rápida ação em caso de detecção de desmatamento ilegal, com punição aos infratores, incluindo queima de equipamento e apreensão de ferramentas.

“Esses sinais de controle devem ser rigorosos”, afirmou. “As unidades de conservação tiveram papel importantíssimo para conter o desmatamento, assim como as terras indígenas. Não sei o que vai acontecer com o agro brasileiro, mas acredito que será o mais prejudicado".

Sarney Filho defendeu ainda o desenvolvimento de alternativas econômicas para a região amazônica, como o extrativismo. “Precisamos reconhecer que há 22 milhões de pessoas na Amazônia e elas precisam de oportunidades para melhorar sua condição de vida. Temos de fazer uma transição para uma economia florestal”, disse. “Para isso, é preciso mobilizar não só a sociedade civil, mas principalmente os empresários, porque, no fundo, é o negócio deles que será prejudicado sem o desenvolvimento sustentável”, finalizou.