Após Visão, Fóruns de Diálogo preparam Plano de Ação para 2019

 

Após criarem a Visão de Futuro para as Florestas e a Agricultura, os Fóruns de Diálogo já têm um novo desafio em vista: criar o plano de ação que tornará a visão uma realidade. Para isso, os Fóruns já começaram a debater as ações prioritárias para apresentação ao governo no próximo ano.


Durante a plenária, os líderes das Fóruns apresentaram os primeiros resultados dessa priorização. Confira os destaques:

 

Fórum de Diálogo Agropecuária e Silvicultura


Revisar o Plano e o Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) é uma prioridade do Fórum. O objetivo é simplificar e reduzir a burocracia e aprimorar a difusão das práticas ABC. Atualmente, o Plano ABC ainda representa um pedaço pequeno do financiamento da agricultura no Brasil.


Outro ponto central é o fortalecimento da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) para produtores que desejam adotar práticas de baixo carbono, com destaque para a agricultura familiar. Os grandes produtores têm condições financeiras de contratar conhecimento especializado no tema, mas para que a ABC também seja viável para os pequenos, os agentes do governo precisam ajudar nessa transição. “Fornecer dinheiro sem acoplar assistência técnica é uma insanidade”, disse Eduardo Bastos, diretor executiva da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau e líder do Fórum.


Promover a geração de energia renovável, em especial de biomassa a partir, por exemplo, da cana-de-açúcar ou das florestas dedicadas, e de biogás para geração de bioeletricidade, é outra prioridade do Fórum. Para isso, será necessário estabelecer regras de contratação regular por leilão.


No caso do programa RenovaBio, ações de advocacy devem ser foco da Coalizão Brasil para que a regulamentação do programa seja concluída até o final de 2019.


Líderes do Fórum:


• Fibria - Carlos Roxo
• GVAgro - Ângelo Gurgel
• Imaflora - Ciniro Costa Júnior
• AIPC - Eduardo Bastos
• Klabin - Ivone Namikawa
• UNICA - Júlia Tauszig
• WWF - Leda Tavares
• Abag - Juliana Monti


Fórum de Diálogo Floresta Nativa


Para o Fórum Floresta Nativa, aumentar o reconhecimento e valor econômico e social das florestas e de outros ecossistemas naturais é central. “Temos que fazer chegar a quem é de direito que a floresta em pé é importante não apenas para o meio ambiente, mas também do ponto de vista social e econômico”, comentou Jeanicolau de Lacerda, assessor da empresa Precious Woods e um dos líderes do Fórum.


Além disso, reunir esforços para que o monitoramento de ações de restauração e reflorestamento em larga escala estejam disponíveis até o fim de 2019 será crucial para acompanhar a meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares.


As concessões florestais também precisam ser priorizadas, aumentando sua escala e viabilidade com incentivos econômicos. As concessões podem ser uma solução importante para a destinação de áreas públicas que hoje ainda não tem finalidade definida.


Foco no mercado legal de produtos florestais também é uma ação elencada pelo Fórum para o próximo ano. O produtor de madeira tem papel na conservação, assim como o consumidor desse produto.


Avançar na silvicultura de espécies nativas e Pesquisa & Desenvolvimento trará benefícios ambientais mas também econômicos. Desenvolver e disponibilizar modelos de restauração como exemplos de bons negócios é o passo inicial para que as nativas possam garantir seu mercado, assim como foi feito com o pinus e o eucalipto.


Líderes do Fórum:


• WRI - Miguel Calmon
• Amata - Dario Guarita Neto
• Precious Woods - Jeanicolau de Lacerda
• Imaflora - Leonardo Sobral
• Imazon - Paulo Barreto


Fórum de Diálogo Desmatamento


Para pôr um ponto final no desmatamento do Brasil até 2050, os primeiros passos elencados pelo Fórum incluem a construção de uma força tarefa entre a sociedade e o governo para analisar o conjunto de dados recentes dos últimos 10 anos. A transparência e oficialidade no monitoramento serão peças-chave, considerando os dados disponíveis pelo governo e pela sociedade civil.


Outra ação urgente é deixar claro para o novo governo e outros atores públicos e privados a necessidade de tolerância zero ao desmatamento ilegal. Para isso, o Fórum sugere o fortalecimento das ações de fiscalização e do sistema de punição, da rápida e ampla destinação das florestas públicas não destinadas e da plena implantação do Código Florestal, por meio da validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e regulamentação do Programa de Regularização Ambiental (PRA) e Cota de Reserva Ambiental (CRA). Essas ações imediatas visam “cumprir a lei e garantir que o ilegal não aconteça”, segundo Fabiola Zerbini, coordenadora Regional da América Latina na Tropical Forest Aliance (TFA) e líder do Fórum.


Buscar formas de evidenciar a perspectiva econômica da conservação, do uso sustentável da floresta e da redução do desmatamento pode ser a alavanca para promover a expansão da agricultura sem comprometer a floresta em pé. O Fórum propõe criar mecanismos de conservação e de redução do desmatamento, aliando serviços ambientais, mecanismos de compensação, fomento ao manejo e à cadeias de sociobiodiversidade.

 

Líderes do Fórum:


• IPAM - Paulo Moutinho
• Abiove - André Nassar
• TFA - Fabíola Zerbini
• Amaggi - Juliana Lopes
• Idesam - Pedro Soares


Fórum de Diálogo Políticas Públicas e Instrumentos Econômicos


Para viabilizar o fim do desmatamento, a valorização das florestas nativas e uma agropecuária e silvicultura sustentáveis, a criação de políticas públicas e instrumentos financeiros é imprescindível.


Esse Fórum elegeu o mercado de carbono, a implementação do Código Florestal, do Plano ABC, os títulos verdes e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como ações prioritárias para 2019. “Precisamos levar ao governo essas ações. Mas também à sociedade e outras organizações, pois ninguém vai resolver sozinho essa tarefa”, pontou Kalil Cury, sócio da Partner Desenvolvimento e líder do Fórum.


Líderes do Fórum:


• Cebds - Ana Carolina Szklo
• IFC - Diogo Bardal
• Fibria - João Augusti
• SRB - João Adrien
• BVRio - Beto Mesquita
• Partner Desenvolvimento - Kalil Cury

 

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