Visão de Futuro é apresentada na COP 24 em evento do BNDES

 

No dia 12 de dezembro, a Coalizão Brasil promoveu dois eventos sobre a Visão de Futuro para as Florestas e a Agricultura: no Pavilhão Brasil, durante a 24ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), em Katowice, Polônia; e no BNDES no seminário "Diálogos para o Amanhã: o papel dos Bancos de Desenvolvimento na construção do futuro", promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) em parceria com BNDES, no Rio de Janeiro.


Visão de Futuro é apresentada no Espaço Brasil da COP 24


O espaço, que comportava cerca de 40 pessoas, estava cheio e o público acompanhou a mesa de debate que contou com André Guimarães (cofacilitador da Coalizão Brasil e diretor-executivo do IPAM), Ana Carolina Szklo (diretora de Desenvolvimento Institucional no Cebds), Elizabeth Farina (diretora presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar - UNICA) e Paulo Barreto (pesquisador sênior do Imazon).


Em sua fala de abertura, Guimarães reforçou que a Coalizão Brasil seguirá sua missão de dialogar com o novo governo com o objetivo de avançar na harmonização da agenda de clima, florestas e agricultura. “Mais do que dialogar, nós estamos trazendo propostas”, adicionou Guimarães referindo-se aos dois principais documentos elaborados pela Coalizão Brasil em 2018: as 28 propostas aos candidatos às eleições – conjunto de medidas factíveis para implementação em um mandato de quatro anos – e a recém-lançada visão de futuro – que traz objetivos para as florestas e a agricultura do país em 2030 e 2050.


A visão de futuro, tema central do evento, foi resultado do trabalho de mais de 200 pessoas (executivos, pesquisadores, técnicos, cientistas etc.) que se envolveram voluntariamente ao longo de 2018 nos debates dos quatro Fóruns de Diálogo: Agropecuária e Silvicultura, Floresta Nativa, Desmatamento e Políticas Públicas e Instrumentos Econômicos.


Elizabeth Farina representou o Fórum Agropecuária e Silvicultura na mesa. “Vamos imaginar que estamos em 2030. Até lá, a maioria das conquistas relacionadas à sustentabilidade, tanto no uso da terra como no mercado de combustíveis, depende da combinação de políticas públicas e estímulos econômicos. Entre eles, estão a implementação de instrumentos previstos no Código Florestal, como as Cotas de Reserva Ambiental (CRAs), valorizando propriedades rurais com excedente de vegetação nativa, além do Programa RenovaBio, que viabilizará um mercado de créditos de carbono com o objetivo de reduzir as emissões de GEE nos transportes, substituindo fontes fósseis por biocombustíveis”, disse Farina. De acordo com a presidente da UNICA, com essas e outras medidas, o Brasil poderá cumprir as metas assumidas para 2030 no Acordo de Paris, reduzindo em até 43% as emissões de carbono (em comparação com os níveis de 2005), descarbonizando o mercado de combustíveis e promovendo boas práticas agrícolas, que incluem a integração de sistemas agroflorestais e agropecuários.


Para falar sobre Florestas Nativas, Paulo Barreto trouxe exemplos de como podemos imaginar um futuro diferente e nos atentar às oportunidades da biodiversidade brasileira, como o açaí, fruta Amazônia, e o mate, planta do sul do Brasil. Ele mencionou também o valor do turismo em áreas protegidas. Nos Estados Unidos, esse mercado de turismo nos parques gera mais de 300 bilhões de dólares por ano. A ideia de investir nessa modalidade nasceu em uma associação de comércio americana, que leu nos jornais que muitos americanos iam para a Europa para conhecer as belezas naturais do outro continente. Com essa oportunidade em mente, a associação montou um plano, que incluía ações de marketing, como a ida de artistas para os parques americanos, e apostaram no patriotismo do turista americano que pagaria para conhecer as belezas de seu próprio país.


No Brasil, uma tentativa parecida tem sido testada com um parque em Belém que protege os mananciais de água da cidade e que era pouco conhecido no local. Recentemente, o parque foi renovado com infraestrutura básica e segurança. O resultado foi um aumento de até 100 vezes no número de visitas. “Vamos tornar o Brasil o maior destino de turismo de natureza do mundo?”, convidou Barreto. Esse é um dos objetivos traçados na Visão de Futuro da Coalizão Brasil no capítulo de Florestas Nativas. Barreto disse que o Brasil tem base para esse turismo, pois já possui unidades de conservação. No entanto, por falta de visão sobre o potencial dessas áreas, as taxas de desmatamento nelas têm crescido. “Eu procurei trazer casos de pessoas que tiveram imaginação e construíram futuros diferentes. Precisamos quebrar nossas ‘caixinhas’ mentais e pensar em novas alternativas”, concluiu.


Guimarães apresentou os principais pontos do capítulo sobre desmatamento, que traça como objetivo o fim do desmatamento ilegal em 2030 e um país totalmente livre de desmatamento em 2050. “A sociedade global está cada vez menos tolerante ao desmatamento”, lembrou. Guimarães destacou três importantes papeis do Brasil no planeta. O primeiro é a segurança alimentar, como um dos principais produtores de alimento e produtos agrícolas do mundo. O segundo é a contribuição do Brasil para mitigar as mudanças climáticas no mundo, já que o país é o sétimo maior emissor de carbono, sobretudo devido a mudanças no uso da terra. O terceiro é o de garantir descobertas futuras que ainda surgirão das florestas. “O Brasil possui entre 15% e 20% da biodiversidade e dos recursos hídricos do planeta. Esse é o tamanho da responsabilidade do Brasil no futuro ao prover soluções, novas moléculas, novas substâncias, novos produtos, novos ‘açaís’. Quantos ‘açaís’ ainda não foram descobertos na Amazônia?”, perguntou Guimarães, lembrando que alguns chefs de culinária consideram a floresta como “a última fronteira gustativa do planeta”, um lugar com sabores que muita gente ainda não conhece.


Para cumprir esses três papeis no mundo, o Brasil precisa por um ponto final no desmatamento. Guimarães afirmou que boa parte do desmatamento na Amazônia e no Cerrado é ilegal. “Se é ilegal, fim de papo. Já melhorou muito [o combate ao desmatamento ilegal], mas o serviço ainda não acabou. Temos que combater com força, pois é um crime”, afirmou Guimarães. O cofacilitador da Coalizão Brasil lembrou que existe também uma parcela do desmatamento que pode ser feita dentro da lei. Na Amazônia Legal, por exemplo, há uma território do tamanho da Alemanha que pode ser legalmente desmatado. Se por um lado é preciso acabar com o desmatamento ilegal porque é um crime, por outro “precisamos criar os meios de incentivo, inclusive econômicos, para que aquele pedaço que possa ser eventualmente desmatado pela legislação, se mantenha preservado”, concluiu Guimarães.


O Fórum Políticas Públicas e Instrumentos Econômicos, representado por Ana Carolina Szklo, discutiu “pleno entendimento sobre o que é a economia de baixo carbono e como aplicá-la na prática”. Segundo Szklo, a transição requer uma estratégia conjunta e integrada. A precificação de carbono, que apresenta incentivos de longo prazo mais eficazes, foi um dos temas mais debatidos pelo Fórum. Outro assunto de destaque foi a bioeconomia, como uma oportunidade de inovação para agregar valor aos produtos brasileiros no mercado internacional. No futuro projetado pelo Fórum, instrumentos que ainda estão em teste hoje, como pagamentos por serviços ambientais, títulos verdes, seguros verdes etc., precisam se tornar o mainstream daqui para a frente, segundo Szklo.


Além do evento da Coalizão no Espaço Brasil, o movimento participou também do debate “Ferramentas inovadoras para descarbonizar o transporte”, promovido pela UNICA, e moderou o painel “Governança florestal: gestão do uso da terra e implicações para a agricultura brasileira”, organizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (FGVCes).


Visão é apresentada também no BNDES


No mesmo dia do evento do Espaço Brasil, alguns membros da Coalizão participaram também de uma mesa de debate do seminário "Diálogos para o Amanhã: o papel dos Bancos de Desenvolvimento na construção do futuro", promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) em parceria com BNDES, no Rio de Janeiro.


O objetivo da mesa foi debater a Visão de Futuro para as Florestas e a Agricultura. Beto Mesquita (BVRio) moderou o debate que contou com Eduardo Bastos (Diretor Executivo da AIPC - Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau), Miguel Calmon (Consultor Sênior do programa de Florestas do WRI Brasil) e Kalil Cury (sócio da Partner Desenvolvimento), além de Gabriel Visconti, Superintendente da Área de Gestão Pública e Socioambiental do BNDES.


Mesquita disse que “a principal mensagem que levamos foi a existência da Coalizão, que se torna ainda mais relevante em momentos de polarização como o atual, e nosso viés proativo, propositivo e de abertura ao diálogo”. Chamou a atenção do moderador o quanto que ainda é preciso avançar em termos de instrumentos econômicos que fomentem a implementação do que propõe a Visão de Futuro. “Os bancos de desenvolvimento estão atentos, mas ainda não incorporaram adequadamente a agenda da sustentabilidade”, conclui.


Para Calmon “o BNDES mostrou que pode ter um papel de liderança numa nova economia florestal de baixo carbono com espécies nativas, seja através de linhas de financiamento e recursos não reembolsáveis como através do apoio na estruturação de negócios florestais para atração de investimentos privados”.


Bastos afirmou que “o agronegócio só tem a ganhar com a aproximação da pauta ambiental. Há muito mais semelhanças que conflitos e temos de avançar nessas agendas comuns”.


“O desenvolvimento sustentável precisa estar no trilho da economia”, comentou Cury, que ressaltou que o futuro presidente do BNDES, Joaquim Levy, já tem conhecimento sobre as propostas da Coalizão Brasil e pode ser o início de uma grande sinergia com o BNDES.


Após o evento, os membros entregaram a o documento da visão ao diretor do BNDES, Ricardo Ramos e ao seu próximo presidente, Joaquim Levy.


Confira as fotos do eventos eventos do Espaço Brasil na COP 24 e do BNDES.


Fotos Espaço Brasil: Crédito: Pozdrawiam Serdecznie
Fotos BNDES: Divulgação

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  • Coalizão Apresenta sua Visão de Futura no Espaço Brasil da COP 24
  • O evento da Coalizão foi um dos mais cheios no Espaço Brasil da COP 24
  • Elizabeth Farina, presidente da UNICA, representou o Fórum Agropecuária e Silvicultura
  • Paulo Barreto, do Imazon, falou sobre a importância de pensar um futuro mais criativo para as florestas
  • André Guimarães, cofacilitador da Coalizão Brasil, moderou o debate e representou o Fórum Desmatamento
  • Ana Carolina Szklo, do CEBDS, comentou os desafios das políticas públicas e instrumentos econômicos
  • Coalizão apresenta sua Visão de Futuro em evento do CEBRI e BNDES
  • Mesa de debate formada por membros da Coalizão em evento do CEBRI e BNDES
  • Durante o evento, Joaquim Levy, presidente atual do BNDES, mencionou a Visão de Futuro da Coalizão
  • Coalizão entrega sua Visão de Futuro ao diretor do BNDES
  • Coalizão participa do evento Ferramentas inovadoras para descarbonizar o transporte, promovido pela ÚNICA na COP 24
  • Coalizão modera o debate Governança florestal gestão do uso da terra e implicações para a agricultura brasileira, organizado pelo FGVCes